Atualizado em 25/04/2024
Ser mentora de alunos começou por acaso na minha vida.
Quando fiz meu projeto de pesquisa do mestrado em Biotecnologia em 2010 lá em Essex, uma colega internacional de curso começou o dela um mês depois do que eu. Meu orientador também a orientava, mas como ele estava ocupado corrigindo as provas da graduação, me pediu gentilmente para orientá-la no laboratório, já que nossos projetos iriam usar as mesmas técnicas para avaliar problemas complementares. Foi uma experiência enriquecedora, ela superou os seus desafios pessoais e acadêmicos e conseguiu se formar comigo no mestrado no ano seguinte.
Em 2011, já no doutorado, eu fiz amizade com alguns alunos da turma 2010 – 2011 do mesmo mestrado que eu fiz, como muita coisa não tinha mudado de um ano acadêmico para o outro, a gente se encontrava para tirar dúvidas sobre os relatórios e os essays (ensaios teóricos). No mesmo ano, eu fiz amizade com um aluno brasileiro que fazia mestrado em Londres numa área próxima da minha. A gente trocava ideias sobre a pesquisa/dissertação de mestrado e na reta final fui até Londres ajudá-lo. Passamos um final de semana revisando o texto, trabalhando na história a ser contada pela dissertação, dando os últimos toques nas figuras e suas legendas, uma experiência incrível.
Quando você faz doutorado, é comum orientar alunos de graduação – no caso do Reino Unido os que estão no último ano – e os de mestrado (como o meu) quando estão fazendo a parte prática dos seus projetos de pesquisa. No meu caso, a experiência que vivi foi crucial nestas orientações, já que eu sabia como elaborar e fazer os experimentos e principalmente ensinar os alunos a caminharem sozinhos no laboratório.
Desde 2020, eu já fui mentora de alunos de áreas fora do STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics = Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Muito do que aprendi nos cursos de capacitação de doutorandos da minha universidade eu consigo transferir para qualquer área do conhecimento: trabalhei com mentorandos de Design de Serviço e Psicologia por exemplo. Aprendi muito com eles também.
De qualquer forma, em nenhum momento um mentor substitui um orientador, da iniciação científica até um doutorado. O trabalho dele é complementar, muitas vezes suprindo as necessidades que o aluno muitas vezes tem com base na sua formação. Aqui na Tp, o ser mentora faz parte do nosso DNA. E é um prazer ver o desenvolvimento de um aluno, seja numa mentoria educacional para alunos de Ensino Fundamental II e Médio, quanto as mentorias acadêmicas para graduação, especialização, mestrado e doutorado.
